É impossível prever se o Dener será tão bom jornalista quanto é bom como ser humano, mas eu apostaria nisso.
Ele tem ouvidos atentos às boas histórias de gente boa ou nem tão boa assim. Essa maturidade foi forjada no trato com espanhóis chatos, balzacas perdidas, artistas (às vezes) talentosos, intelectuais pretensiosos e toda uma variadíssima fauna que fazia do Íris o melhor bar que já existiu em Campo Grande. Por algum tempo, o Dener comandou o balcão, foi o confidente e preparou os drinks do sedento underground desta cidade.
O Dener é dono de mortíferos trocadilhos que lembram os
backhands do André Agassi nos seus bons tempos. Quando a boa cai dentro, como geralmente acontece, o adversário fica desconcertado.
Conhece bem música, usa paletós ingleses, entende de simuladores de vôo e tem muito sangue frio toda vez que os brucutus do DOF nos apontam fuzis e metralhadoras em estradas desertas por pensarem que somos ladrões de carro ou coisa pior.
“Ele é meio de faroeste, misturando com Nelson Rodrigues, cigarros e bossa nova”, diz a Manuela.
Seu carisma pantaneiro (from Aquidauana) também faz estrago com as mulheres. Andou com um timaço de vários cursos da UFMS – o que o tornou certamente bem mais abrangente do que a política de investimento do Peró, o nosso rei-tor. Trocou a admiração de todas elas pela crítica de uma única: a Maísa, uma cientista social.
E, cá pra nós, foi uma escolha e tanto, já que a Maísa – além de bonita, inteligente e paraguaia – é outra que leva a qualquer mesa de boteco o prazer da boa conversa. Mas essa é outra história.
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PS: Nesta quinta é aniversário do Dener. Não digo a idade para me proteger de comparações.