Quinta-feira, Agosto 31, 2006

LIVROS QUE NOS TOMAM

O espanhol Arturo Pérez-Reverte começa assim:

O telefone tocou e ela compreendeu que iam matá-la. Compreendeu com tanta certeza que ficou imóvel, com a lâmina no alto, o cabelo colado no rosto em meio ao vapor da água quente que pingava dos azulejos. Bip-bip...

Rainha do Sul já andou me roubando de alguns compromissos e um bocado de tempo de sono desde segunda-feira. Há livros que são assim, 300 páginas num piscar de olhos.

E o filho da puta nos obriga a ir mais devagar daqui para frente, na segunda metade, porque senão a história acaba logo.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

RUMO AO PAN

Essa é do Dourados News. Rapaz ia encarar 8 kg de maconha e 110 km de caminhada.

Terça-feira, Agosto 29, 2006

VOLKSWAGEN

Li por acaso e achei foda. E só.

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

...

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

IBOPE

A TV Morena acaba de entrar no jogo da cobertura das eleições. A emissora, ligada à Globo, acaba de soltar pesquisa Ibope com os números da corrida para o governo e para o Senado.

Governo

André Puccinelli (PMDB) - 62%
Delcídio Amaral (PT) - 24%
Não sabe/não opinou - 11%
Brancos e nulos - 3%

Os candidatos Tito Lívio Canton (PV), Carlito Dutra (PSOL) e Elizeu Amarilha (PSDC) obtiveram menos que 1%.

Senado

Marisa Serrano (PSDB) - 49%
Egon Krakhecke (PT) - 14%
Joãp Leite Schimidt (PDT) - 4%
Carlos Leite (PV) - 1%
Anita (PSOL) - 1%
Não sabe/não opinou - 24%
Brancos e nulos - 5%

Os candidatos Suel Ferranti (PSTU) e Ionaldo Arce (Prona) foram mencionados por menos de 1% dos entrevistados.

A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 23 de agosto, ouviu 803 eleitores de 33 municípios de MS. A margem de erro é de três pontos para cima ou para baixo.

Há detalhes interessantes nos números: já captam os primeiros dias do horário eleitoral gratuito. No Senado, o Ibope apresenta a mesma diferença percentual entre Egon e Marisa da pesquisa da Tendência: 35 pontos, o que confirma a tendência de crescimento do petista e de queda da tucana, embora ainda se trate de um abismo a separar os dois.

Quanto ao governo, nada de novo no front. Na verdade, Puccinelli aparece com um percentual ainda maior do que na pesquisa publicada pelo Correio do Estado na segunda. Não chega exatamente uma surpresa já que o diário é declaradamente pró-Delcídio...bem, deixa pra lá.

A do Ibope está registrada no TRE (12702/06).

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

PLANETA DE 2ª DIVISÃO

O diário lisboeta Correio da Manhã traz na sua edição desta quinta-feira a história de como Plutão foi sumariamente rebaixado para a segunda divisão do nosso sistema planetário. Eis o lead de Miguel Azevedo sobre a decisão do 26.º Congresso da União Astronômica Internacional:

"Por ser pequenino e excêntrico, Plutão foi excluído do sistema solar, que agora é reduzido de nove para oito planetas. Assim, à primeira vista até pode parecer uma discriminação, mas parece que Plutão andou durante muito tempo a enganar tudo e todos..."

O texto saboroso informa ainda que os astrólogos torceram o nariz para a 'expulsão' de Plutão. Segundo um deles, ele continuará tendo muita influência na vida das pessoas aqui na Terra.

O arremate vem com um perfil do ex-planeta cujas temperaturas chegam a 230ºC negativos - friozinho suficiente para manter congelada a própria atmosfera.

Vale o seu tempo este clique.

EGON EM ALTA

Última pesquisa do Tendência/Correio do Estado mostra que a disputa para o Senado está esquentando. Caiu nove pontos a diferença entre o Egon Krakhecke (PT) e a Marisa Serrano (PSDB). O Egon tá na casa dos 10 pontos, a Marisa dos 46. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o interessante é que a pesquisa foi fechada antes do começo da propaganda eleitoral gratuita.

E o Egon tá bem na TV.

As mães de jornalistas estão gostando dele. A da Maristela Brunetto declarou voto porque “ele é de origem alemã, do Rio Grande do Sul e é sério”. A da Marta Ferreira acha que ele “tem cara de gente de bem”. A minha comentou que ele está a cara do Reginaldo Farias – que faz o Dr. Fontes em “Sinhá Moça”.

E há muitas outras razões. Como ter uma trajetória de defesa de causas que são espinhosos em um estado tão conservador como o MS: a luta dos povos indígenas, a reforma agrária e os direitos humanos.

UMA BREVE IDÉIA DE ELEGÂNCIA

É impossível prever se o Dener será tão bom jornalista quanto é bom como ser humano, mas eu apostaria nisso.

Ele tem ouvidos atentos às boas histórias de gente boa ou nem tão boa assim. Essa maturidade foi forjada no trato com espanhóis chatos, balzacas perdidas, artistas (às vezes) talentosos, intelectuais pretensiosos e toda uma variadíssima fauna que fazia do Íris o melhor bar que já existiu em Campo Grande. Por algum tempo, o Dener comandou o balcão, foi o confidente e preparou os drinks do sedento underground desta cidade.

O Dener é dono de mortíferos trocadilhos que lembram os backhands do André Agassi nos seus bons tempos. Quando a boa cai dentro, como geralmente acontece, o adversário fica desconcertado.

Conhece bem música, usa paletós ingleses, entende de simuladores de vôo e tem muito sangue frio toda vez que os brucutus do DOF nos apontam fuzis e metralhadoras em estradas desertas por pensarem que somos ladrões de carro ou coisa pior.

“Ele é meio de faroeste, misturando com Nelson Rodrigues, cigarros e bossa nova”, diz a Manuela.

Seu carisma pantaneiro (from Aquidauana) também faz estrago com as mulheres. Andou com um timaço de vários cursos da UFMS – o que o tornou certamente bem mais abrangente do que a política de investimento do Peró, o nosso rei-tor. Trocou a admiração de todas elas pela crítica de uma única: a Maísa, uma cientista social.

E, cá pra nós, foi uma escolha e tanto, já que a Maísa – além de bonita, inteligente e paraguaia – é outra que leva a qualquer mesa de boteco o prazer da boa conversa. Mas essa é outra história.

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PS: Nesta quinta é aniversário do Dener. Não digo a idade para me proteger de comparações.

Domingo, Agosto 20, 2006

SOB MEDIDA, HEIN NELSON?

Publicado na edição de sexta-feira (11/08/2006), o decreto 9712 oficializa uma suplementação de créditos de R$ 3 milhões para duas secretarias – Educação e Governo.

A Segov (secretaria municipal de Governo), braço de operação política do prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), ficou com a maior parte da verba extra: R$ 2,6 milhões.

A suplementação coincide com o período eleitoral. O irmão e o pai do prefeito são, respectivamente, candidatos a cadeiras na Assembléia Legislativa e na Câmara dos Deputados. O antecessor na prefeitura, André Puccinelli, disputa o governo. Todos pelo PMDB.

A Segov terá R$ 1,69 milhão para a contratação de serviços terceirizados e R$ 690 mil para gastos com “passagens e locomoção”, além de R$ 180 mil para material de consumo. Não há detalhes sobre a natureza dos serviços a serem contratados.

Você deve estar se perguntando por que estou publicando isso aqui ou por que não saiu uma linha em nenhum jornal? Ah, mas você também faz cada pergunta...

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

r.

A resposta da terra

William Blake

A terra levantou sua cabeça
Desde a escuridão pavorosa e triste.
Sua luz voou,
Pétreo terror!
E cobriu seus cabelos com cinzento desespero.
"Presa junto a úmida costa,
Ciúmes estrelados guardam meu covil:
Fria e velha,
Chorando,
Escuto ao Pai dos homens antigos.
Egoísta Pai de homens!
Cruel, ciumento, medo egoísta!
Pode o gozo,
Acorrentado na noite,
Dar à luz as virgens da juventude e manhã?
A primavera esconde sua alegria
Quando os casulos e as flores crescem?
O semeador
Semeia pela noite,
Ou o lavrador lavra na escuridão?
Rompe esta pesada corrente
Que rodeia de gelo meus ossos
Egoísta! Inútil!
Eterna praga!
Que ao livre Amor ataste com ataduras.

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E que tal saber um pouco mais sobre o Blake? Clique aqui.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

LIBERTADORES

"A Libertadores é uma competição com uma atmosfera tão especial, com uma mística tão grande, com uma lógica tão própria, que muitas vezes dá a impressão de pertencer a uma outra ramificação do futebol".

Trecho de um texto de Marcos Caetano. Quando o escreveu, a partida não tinha acontecido ainda, mas - com base na história - ele cravou lá: será um jogo eletrizante.

E foi mesmo. O Internacional empatou em 2 a 2 com o São Paulo e levantou a taça.

STROESSNER

Alfredo Stroessner morreu em Brasília aos 93 anos. Era uma notícia que gostaria de ter escrito no jornal, mas quis a minha má sorte que estivesse engalfinhado com uma pauta sobre horário eleitoral de TV. Nos próximos dias, escreverei algo sobre o ex-ditador paraguaio. Por enquanto, apenas adianto o teor: já vai tarde.

PRA DESOPILAR

O blog do Sérgio Rodrigues traz uma boa cobertura sobre a Festa de Literatura de Paraty e muita coisa legal sobre autores e o mundo. Texto leve, inteligente, vale o seu tempo. Vai .

Terça-feira, Agosto 15, 2006

DEPOIS DAS ARMAS QUÍMICAS...

Sabe aquela história de invadir o Líbano para retaliar o seqüestro dos soldados israelenses? Pois é, parece que não é bem assim.

Os governos dos Estados Unidos e Israel discutiram o bombardeio e a invasão do Líbano entre março e junho deste ano – bem antes, portanto, do incidente que resultou na captura dos militares israelenses pelo Hezbollah.

As informações estão em um artigo de Seymour Hersh para a revista The New Yorker. A apuração de Hersh se dá em cima de fontes da Defesa dos Estados Unidos e de Israel e de políticos que dão as cartas no Mossad, o serviço de espionagem israelense.

Julho só ofereceu o pretexto para uma operação militar que já vinha sendo preparada há muito tempo, diz a matéria.

Enquanto os israelenses miravam no Hezbollah, o sempre automático apoio norte-americano tinha um foco muito bem definido fora do Líbano: o Irã.

Uma série de ataques aéreos bem-sucedidos ao Líbano será, segundo Hersh, o prelúdio para uma operação similar em larga escala no Irã, acusado de manter secretamente um programa nuclear com fins militares.

A lógica é simples: não era possível bombardear o Irã sem enfraquecer primeiro o Hezbollah. A intenção desta guerra é reduzir a margem que os aliados dos iranianos no Líbano teriam para retaliar contra Israel a operação militar que realmente interessa aos Estados Unidos.

É mais um bom serviço prestado por Hersh, que já foi responsável por furos históricos como o massacre de My Lai, na Guerra do Vietnã, e da tortura institucionalizada na prisão iraquiana em Abu Ghraib.

O artigo é compridinho, mas está em um inglês acessível. Vale o tempo.

NOSSO PAÍS

Estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) mostra que entre os anos de 2000 e 2005 o investimento federal direcionado às populações indígenas passou de R$ 75 milhões para R$ 345 milhões.

Na contra-mão desse avanço, dinheiro empregado pela União especificamente com regularização fundiária e a proteção dos territórios destes povos caíram de R$ 67 milhões para R$ 42 milhões.

Mato Grosso do Sul, onde muitas comunidades indígenas se parecem a campos de concentração, sofre bastante com o problema. O antropólogo Ricardo Verdum, que coordenou a pesquisa, dá mais detalhes nesta entrevista, Vai .

Domingo, Agosto 13, 2006

GERAIS

Ando sem tempo para postar coisas aqui. Vai tudo bem comigo: ando a mil com o trabalho e com um curso muito legal sobre cobertura investigativa da administração pública. Minha pesquisa voltou a andar.

O Jorge me mandou o link, sugiro para quem quiser entender um pouco do Hezbollah conferir essa entrevista da Carta Capital.

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

EXCELÊNCIAS

Passei as últimas semanas atolado numa montanha de papel. Analisei algumas dezenas de declarações de bens de políticos que disputam cargos públicos este ano. Comparei declarações entregues este ano, em 2004, em 2002, em 2000 e até 1996. Bem, o resultado está numa série de matérias que publicamos no Campo Grande News.

Foram milhares de contas, regras de três, consultas a imobiliárias, soma, checagens, divisões, planilhas, diminui, soma de novo, repete a operação e, claro, aquelas ligações do tipo “mas, deputado, como o sr. conseguiu?”

Pode até ser difícil de acreditar, mas, sim, parece que os políticos conseguem enriquecer no ofício.

Alguns de forma bem estranha. Senão vejamos:

Prefeitura, um encosto na vida Puccinelli

A melhor coisa que André Puccinelli (PMDB), o candidato mais forte ao governo, fez foi se mandar da prefeitura de Campo Grande. Enquanto era prefeito sua vida financeira era uma pasmaceira só. Enquanto foi prefeito seu patrimônio crescia em média R$ 20 mil por ano. Em 1996, quando foi eleito prefeito, seu patrimônio foi avaliado em R$ 743 mil. Em 2000, na reeleição, R$ 854,3 mil. Hoje, R$ 2,37 milhões. O ex-prefeito disse que guarda R$ 1,46 milhão debaixo do colchão.

O crescimento entre 2000 e agora é de 178% e o detalhe: Puccinelli não atualizou o valor de imóveis como um apartamento no centro de Curitiba que ele diz que vale R$ 652.

O curso de economia doméstica do Vander

Vander Loubet (PT) tem tudo para se tornar um tipo de Zinedine Zidane da economia doméstica. Em 2002, ele disse ao imposto de renda que seu patrimônio todo chegava a R$ 2.299. Hoje, depois de quase quatro anos na Câmara dos Deputados, o sobrinho do governador é dono de um respeitável patrimônio que inclui apartamento, caminhonete importada, chácara e uma lancha. Valor estimado: R$ 681 mil.

O Zé do Boi sem boi

O deputado Zé Teixeira (PFL) é o líder dos ruralistas na Assembléia. Em Dourados, sua base eleitoral, ele é conhecido como “Zé do Boi” por ser um dos figurões dos negócios de compra e venda de gado. Na declaração deste ano, afirmou que seu patrimônio vale R$ 3,2 milhões. Nele, estão fazendas, mas nenhuma única cabeça de boi.

- Mas, deputado, o sr. não tem nem um boi nas suas fazendas?

- Tenho um pouco.

- Um pouco quanto?

- Umas 6006 cabeças... [o número foi esse mesmo]

- Ué, mas o sr. se esqueceu delas ao fazer a declaração?

- Não, eu declarei.

- Mas na declaração não há nenhuma...

- Aí você tem que perguntar pro TRE. Eu declarei.

O TRE diz que não.

Quinta-feira, Agosto 03, 2006

RESMUNGO

Tá um inferno esse provedor com as fotos. Não dá para publicar novas e sumiram com umas que estavam no ar.