Segunda-feira, Julho 31, 2006

WANDER WILDNER

Tenho de parar de falar mal da MTV só por falar. São esses hábitos que a gente pega e depois não consegue se livrar. No meu caso, é quase tão sério quanto fumar.

Mas, vá lá, vi há alguns meses o dvd do acústico das bandas gaúchas e me surpreendi em 'rever' um quase ilustre desconhecido, o Wander Wildner. Legal quando se prestam a trazer à tona figuras como esse cara e mostrar para o resto do país bandas como o Cachorro Grande e Bidê ou Balde.

Wander Wildner é um cantor e compositor gaúcho. Integrou algumas bandas do underground gaúcho - a mais expressiva, os Replicantes (com quem gravou quatro discos). Seu primeiro disco solo tem 10 anos, "Baladas Sangrentas", lançado em 1996, projeto desses totalmente independentes, com o próprio selo.

Tem músicas legais para caras que não conseguem ser alegres o tempo inteiro, que vivem tomando vinho, nesse lugar do caralho.

atrás.

Domingo, Julho 30, 2006

SO MANY DIFFERENT WORLDS

Do site do Exército de Israel:

"Resumo das atividades do dia 29 de julho:

Ataques aéreos contra 60 alvos no Líbano, nos quais foram destruídos:

Quatro bases de lançamento de foguetes contra Israel, dezenas de prédios usados pelos terroristas do Hezbollah, veículos que transportavam armas, pontes e estradas usadas pelos terroristas."

Do site do Hezbollah:

"Cidadãos de Qana mortos em ataque terrorista. Nós perguntamos a Bush e Rice: quem são os terroristas? Nossas crianças ou o "estado" de Israel? E pode o Oriente Médio ser construído sobre cadáveres?"

O PODER DA EDIÇÃO

A foto abaixo é da France Presse e foi tirada em Qana, sul do Líbano, onde dezenas de civis foram mortos durante um ataque aéreo israelense.

A BBC, emissora britânica, preferiu esconder a criança morta:

A Al Jazeera, do Catar, traz a foto sem cortes:

Dire Straits: There are so many different worlds...

MASSACRE

Os números de mortos no ataque israelense a um abrigo de civis na cidade Qana, no sul do Líbano, são discrepantes.

Segundo a BBC, pelo menos 54 civis foram mortos (34 deles, crianças).

A Al Jazeera informa que foram pelo menos 65 mortos (21 crianças).

O consenso entre as duas é que não havia registros da atividade de militantes do Hezbollah na região.

Sábado, Julho 29, 2006

O PÓ

Publico essa nota depois de um dia inteiro passado na fronteira entre o estar acordado e estar dormindo. Com vantagem para o último estado. Já tomei uns 5 litros de água.

O dia começou cedo. Umas 5 ou 6 horas da manhã, quando acordei no gramado do quintal da casa de um amigo.

Obviamente, não me lembro de ter tomado banho de chuva.

JACK

Então, saiu nos jornais de hoje que a Scotland Yard identificou Jack, o Estripador. A revelação vem 118 anos depois das mortes em série em Whitechapel, leste de Londres.

De acordo com as notas do inspetor Donald Swanson, chefe da investigação na época, o assassino das cinco prostitutas foi um açougueiro polonês chamado Aaron Kosminski. Ele só teria escapado de uma acusação formal porque a única testemunha sobre o caso teria se recusado a falar.

Tudo bem, mas prefiro a versão de From Hell, aquele filme com o Johnny Depp no qual um médico da realeza seria o criminoso.

O Times tem a história. Vai .

Quinta-feira, Julho 27, 2006

ISRAEL CONTRA A PAREDE

Depois de ignorar solenemente as pressões da comunidade internacional, Israel finalmente terá de botar as barbas de molho.

A Câmara de Ponta Porã aprovou hoje uma moção que exige a imediata suspensão dos bombardeios no Líbano. A proposta foi do vereador Marcelino Nunes (PT).

O vereador não está nada contente com o 'animus fudendi' (o latim é dele mesmo, mas de uma ocasião anterior) reinante na região.

A maneira como seria encaminhada a decisão pontaporanense sobre a carnificina no Oriente Médio foi controversa.

Alguns defendiam que o próprio Marcelino embarcasse para o sul do Líbano e, investido da autoridade concedida pelos 700 votos que teve em 2004, esfregasse a moção na cara das forças de ocupação já dando uma catracada nos israelenses.

Como as diárias para viagem não estão jorrando na Câmara (embora houvesse uma procissão de voluntários se oferecendo para pagar a ida de Marcelino à zona de bombardeios), os defensores dessa proposta foram voto vencido. O documento será encaminhado pelo correio mesmo para a embaixada de Israel em Brasília.

Quarta-feira, Julho 26, 2006

TRAPALHÕES

Um assalto e tanto.

Dois manés roubam uma Parati, dirigem até uma cidade vizinha, levando um refém. Liberam o refém, o carro quebra, eles perdem a chave, também perdem a arma. Resolvem assaltar um radialista que estava no ar, mais de 100 ouvintes ligam para a polícia.

Bem, é claro que foi no Paraná.

DESERTO



A umidade andou na casa dos 16% hoje aqui em Campo Grande.

Terça-feira, Julho 25, 2006

PÍLULAS

Enquanto o pau come no Oriente Médio, vou me arranjando como posso, como se não tivesse nada com isso. Bem, talvez nem tenha mesmo. Vamos a um breve resumo dos últimos dias:

MOBY DICK - Botei olho gordo no livro do Jorge da última vez que estive em Ponta Porã. A inveja foi tanta que tive de comprar um exemplar pra mim no Maciel. A edição da Martin Claret não é nenhum primor, achei aqui e acolá uns tropeços na concordância nominal. Nada muito grave.

Ando devagar. Vou deslizando pelo texto do Herman Melville. Mais saboroso que o texto propriamente é o argumento: Um homem que abandona a vida tranqüila para ir à busca de baleias no século 19, quando a luta era desigual (em favor das baleias, é claro).

É um tema que me agrada muito – não as baleias, mas a inquietude do homem e sua vontade de enfrentar desafios.

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AMADEUS - Alguns filmes explicam a paixão pelo cinema. Revi Amadeus depois de uns quinze anos. A obra de Milos Forman sobre a vida de Mozart é simplesmente genial porque consegue continuar deslumbrando. Não sei se me lembro de um filme em que a música – e que música! – consiga ser tão protagonista quanto os atores. Vale também pelas interpretações, pela fotografia e figurino. É uma obra-prima.

Outros:

Jonhny & Jude (sobre a vida do anfetaminado Jonhny Cash), filme passável, bom entretenimento. Traz vontade de rever A Fera do Rock (tradução horrível para Great Balls of Fire) sobre a vida de Jerry Lee Lewis.

Gol, o Sonho Impossível: previsível e sem sal. Vale para ver um pouco do que é a vida de excessos dos astros do futebol. Zidane, Beckham e Raul fazem uma ponta. É quase Disney.

Nem Tudo é o que Parece: boa comédia inglesa sobre um traficante de cocaína do West End que está em vias de se aposentar mas se mete em um rolo com criminosos de guerra sérvios. Trama engenhosa, bom texto e ironia fina.

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YOUTUBE - Também andei garimpando coisas no Youtube. Achei uns clipes de britpop dos anos 80 e um vídeo lindíssimo das jogadas do Zidane ao som de "Love", do Nat King Cole", entre outras coisas.

Depois falo mais sobre isso, ainda estou aprendendo a mexer com o Youtube, mas estou bem impressionado.

THE INDEPENDENT



Capa do The Independent, jornal londrino que costuma tomar posições pró-Israel, mostra quem está a favor da guerra e quem está contra.
O mundo todo deve mesmo estar errado.

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Robert Fisk, do The Independent, é talvez o maior correspondente de guerra vivo e em ação. Tem argumentos fortes sobre o que está havendo. O trecho abaixo foi transcrito do blog do Pedro Dória, que traduziu o Fisk:

"Não nos esqueçamos que o Hezbolá quebrou a lei internacional, cruzou a fronteira israelense, matou três soldados israelenses, capturou outros dois e os levou para o outro lado da fronteira. Foi um ato calculado de violência e o líder do Hezbolá, Hassan Nasrallah, não deveria poder sorrir tão largo na conferência de imprensa. Suas ações trouxeram uma tragédia sem paralelos para o Líbano."

Introdução feita, ressalva exposta, Fisk costura:

"Mas o que aconteceria se tivesse sido o fraco governo libanês que tivesse lançado um bombardeio aéreo contra Israel da última vez que soldados israelenses cruzaram a fronteira? O que aconteceria se a Força Aérea libanesa tivesse matado 73 civis israelenses após bombardear Ashkelon, Tel Aviv e Jerusalém Ocidental? O que aconteceria se um caça libanês tivesse bombardeado o Aeroporto Ben Gurion? Se tivessem destruído 26 pontes em Israel? Será que chamariam de 'terrorismo' se fosse este o caso? Creio que sim. Mas se Israel fosse a vítima, aí teríamos a Terceira Guerra Mundial."

Domingo, Julho 23, 2006

QUE SE VAYAN TODOS

Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e apontado como chefe da máfia das sanguessugas, implicou 112 parlamentares no propinoduto que funcionava com as emendas da ambulância. Dois deles são deputados pelo Mato Grosso do Sul: João Grandão (PT) e Waldemir Moka (PMDB). Tanto um como o outro negam veementemente as acusações.

O depoimento de Vedoin, um réu confesso, pode ser inteirinho uma fantasia completa, uma espetacular coleção de mentiras. Mas, para quem conhece mesmo superficialmente os bastidores da política, é perfeitamente verossímil.

E por que é verossímil? Seria por que são consistentes as declarações do dono da Planam? Não, é verossímil porque, para além da superfície de aparente novidade, o escândalo das sanguessugas é só mais uma atualização do pântano da política brasileira.

É tão verossímil que dá uma imensa vergonha. Afinal, estamos falando de 112 parlamentares – e quem sabe quantos mais? – eleitos ou reeleitos pelo distinto público e não se ouve um só grito de "que se vayan todos".

ESSES HOMENS PÚBLICOS E SUAS AMBULÂNCIAS...

Depois de João Grandão (PT) ter sido acusado de receber comissão de 10% da Planam a cada emenda para a compra de ambulâncias, agora é o presidente do PMDB em MS, Waldemir Moka, que foi para a linha de tiro.

A "Veja" que está nas bancas traz uma reportagem, que cita Luiz Antônio Vedoin, o dono da Planam, como fonte, segundo a qual o deputado peemedebista teria negociado o ingresso no propinoduto das ambulâncias. Por motivos de força maior, não teria conseguido receber.

Diz a revista:

"Entre a turma dos sanguessugas, há um quarteto bastante peculiar. Ele é formado por deputados que, segundo o depoimento do empresário Luiz Antônio Vedoin, se envolveram diretamente com o esquema de corrupção montado pela Planam, sem levar, no final, a propina que pretendiam. Os deputados Gilberto Nascimento (PMDB-SP), Waldemir Moka (PMDB-MS), Luciano Castro (PL-RR) e Pastor Frankembergen (PTB-RR), de acordo com o empresário Vedoin, apresentaram emendas para a compra de ambulâncias, acertaram com os donos da Planam o valor do suborno que embolsariam por elas, mas, por motivos diversos – alguns não conseguiram a liberação do dinheiro, por exemplo –, ficaram a ver navios."

As figurinhas:

Sábado, Julho 22, 2006

GUARNIERI


Lembro da primeira vez que o teatro me perturbou. Foi a coisa de uns 10 anos quando um amigo me pôs na mão o texto de Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Em 2000, vi uma montagem amadora em Dourados, nos tempos heróicos da faculdade de Letras. Não era grande coisa em termos de produção, mas foi emocionante por razões como as descritas pelo crítico teatral Décio de Almeida Prado:

Eles não usam black-tie põe diretamente o dedo na ferida. A greve é o seu tema ostensivo, uma greve operária, de reivindicação por melhores salários, que acaba por separar pai e filho. O pai, revolucionário consciente de seus fins, forte da força de sua classe, é um dos cabeças do movimento. O filho, criado por circunstâncias várias, em ambiente diverso, pensa em primeiro lugar no próprio futuro. Corajoso quando se trata de enfrentar os homens – e o fato mesmo de furar deliberamente a greve põe isso em evidência – o seu medo é o de outra natureza: o grande medo de nossa sociedade moderna, o medo de ser pobre. Jovem, nas vésperas de se casar, com mulher e filho em perspectiva, só tem um cuidado: fugir de sua condição operária, melhorar de vida, subir – e quem ousaria, de consciência tranqüila, lançar-lhe a primeira pedra?

Homens como o Guarnieri sempre farão falta.

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O cartaz é do filme de Leo Hirzman, baseado no texto de Guarnieri.

A GUERRA DAS CRIANÇAS


Kiryat Shmona, Israel: crianças escrevem mensagens nas ogivas da artilharia pesada que será lançada sobre os "terroristas" como o da foto abaixo.


A foto das crianças israelenses é de Sebastian Scheiner, da AP; a da criança libanesa não é de um fotógrafo amador. Ambas foram recolhidas em um site que traz algumas das imagens mais impressionantes dos bombardeios contra a população civil do Líbano. A maior parte delas não tem crédito, foi feita por gente comum que estava com uma câmera na mão enquanto mais uma página de vergonha se escreve no Oriente Médio.

As imagens escolhidas para este blog foram as menos sangrentas possíveis. Se você tem estômago forte, clique aqui. Recomendo mesmo porque, apesar da aparente morbidez, ajudam a ter uma dimensão e dar um rosto a quem de fato está pagando a conta da insensatez.

Quando vi as fotos das crianças - as israelenses e as libanesas - evitei perguntar se um dia a espiral de violência poderá ser contida.

É um mundo triste.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

NA FITA

Pastor Amarildo (PSC-TO) não tem do que reclamar em termos de projeção.

Este mês, ganhou notoriedade com a aprovação do seu projeto que aumenta as atribuições do jornalista - impedindo, por exemplo, que sociólogo dê aula de sociologia em curso de comunicação ou que chargista sem diploma de jornalismo publique em revistas e jornais.

Agora, nova aparição: é um dos 57 parlamentares investigados na Máfia das Sanguessugas.

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Para quem tiver tempo, leia a entrevista onde o parlamentar pergunta: O que é a Fenaj?

Terça-feira, Julho 11, 2006

DIVIDIDA

Marta Ferreira batendo um bolão no Observatório da Imprensa:

PARECERAM UMAS TIAS VELHAS

Sobre a cobertura lamentosa e desrespeitosa depois que o ufanismo levou de goleada para a bolinha da seleção. Vá no texto.

Segunda-feira, Julho 10, 2006

PÉROLAS REPUBLICANAS

Os ânimos estavam alterados, sim, mas não dá para tirar a razão de nenhum dos lados. Se fosse no boxe, teríamos um empate técnico.

A matéria da Folha de hoje:

Líder do PCC discute com deputado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A inquirição de Marcola transcorria em tom cordial. Súbito, o deputado Moroni Torgan alterou o timbre de voz. Acusou a facção de aproveitar-se dos presos, obrigando-os a reincidir no crime para financiar o PCC. Marcola irritou-se.

MORONI - O que existe é uma organização criminosa.
MARCOLA - Vamos parar o grito (...).
MORONI - Uma organização criminosa.
MARCOLA - Vamos gritar. É isso que o senhor quer?
MORONI - Eu falo do jeito que eu quiser (...).
MARCOLA - Não grita, pô!
MORONI - Agora eu quero dizer, com todo o respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
MARCOLA - E o que é que os deputados fazem? Não roubam também? Roubam para caralho, meu!
MORONI - É, isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também.
MARCOLA - Só porque deputado rouba eu vou ser indiciado? MORONI - Por desacato. (...)
MARCOLA - Que moral tem algum deputado para vir gritar na minha cara? Nenhuma.
MORONI - Todo homem de bem tem moral de falar.
MARCOLA - Mas quem disse que... Cadê o homem de bem? Todo bandido fala que é homem de bem.

Marcola desculpou-se. Lamentou ter pronunciado um palavrão. Não foi indiciado.

Domingo, Julho 09, 2006

CLASSIFICADOS

Um apartamento de 69 m² no centro de Curitiba por R$ 655.

Uma fazenda de 1292 hectares em Camapuã. Preço do hectare: R$ 13.

Duas salas no principal edifício comercial de Dourados. Valor: R$ 2500.

Imóveis com preços que ninguém encontra nos classificados estão na declaração de patrimônio dos candidatos.

Veja por si.

MERCI, ZIZOU


Zidane só saiu rumo à aposentadoria. Saiu no segundo tempo da prorrogação da final da Copa do Mundo. Expulso depois de reagir com uma cabeçada à provocação de Materazzi. É o adeus do maior jogador de futebol que o mundo viu desde Maradona.

Gostaria de tê-lo visto erguendo a taça novamente. Pela carreira, pela capacidade de superação da seleção francesa e por uma razão política.

A França de hoje é a nova Europa, é a Europa dos migrantes, dos negros, dos sul-americanos, dos africanos, dos muçulmanos. O local, o Estádio Olímpico de Berlim, não poderia ser mais adequado. Foi onde, na Olimpíada de 1936, o velocista Jesse Owens desmantelou a "teoria" da superioridade ariana debaixo do bigode de Adolf Hitler. (*)

Os franceses tiveram o time mais brilhante do Mundial e a derrota nos pênaltis não me pareceu justa. Bem, mas o futebol é como a vida - não tem nada a ver com a justiça, mas com o acaso.

Valeu, Zidane.

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EDITADO: Sobre a história do Owens/Hitler, Lucas traz um texto nos comentários que vale a pena ser lido.

DOM GIOVANNI

Liguei a tv por acaso há pouco e dei de cara com o excelente “Resumo da Ópera”, da TV Cultura. No ar desde o ano passado, o programa é uma destas iniciativas inteligentes para mostrar a um número maior de pessoas que a música erudita não precisa ser necessariamente uma coisa para pouquíssimos. O programa traz os trechos mais relevantes de uma ópera, contextualiza direitinho na história e ainda mostra, a partir de entrevistas com gente comum, como os argumentos escritos há vários séculos continuam sendo atuais.

‘Dom Giovanni’, de Mozart (1756-1791), foi a de hoje. O protagonista é um mulherengo contumaz, cheio das artimanhas para desvirginar mocinhas inocentes...a evolução da trama se dá quando as portas começam a se fechar para D. Giovanni depois que a sua coleção de inimigos (as) se torna tão extensa quanto a de conquistas. O nosso herói acaba sendo levado ao inferno pela estátua de mármore de um desafeto.

O pessoal da Cultura foi às ruas de São Paulo e ouviu pessoas sobre os seus relacionamentos. O resumo da ópera: frivolidade é uma das poucas coisas universais e atemporais.

Não percam no próximo domingo.

Sexta-feira, Julho 07, 2006

COOL CRIS


Pode até parecer, mas não é a Lara Croft.

A expedicionária de raves aí de cima é a Cristina, minha prima.

Boa gente.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

CFJ, O CONTRA-ATAQUE

Do Blog do Maurício Tuffani:

Acaba de ser aprovado no Senado Federal um projeto de lei complementar que altera a classificação das funções de jornalistas. . Ainda não "caiu a ficha" de que esse trâmite silencioso foi, até agora, um bem-sucedido contra-ataque da proposta de criação do famigerado CFJ (Conselho Federal de Jornalismo), idealizada pela Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), encaminhada em 2004 ao Legislativo pelo Governo Federal e, por ele mesmo, retirada no mesmo ano sob fortes pressões, principalmente de muitos jornalistas e proprietários de veículos de comunicação.

Trata-se do Projeto de Lei Complementar nº 79/2004. O dispositivo votado estabelece como privativas de jornalistas, entre outras nos termos do Decreto-lei nº 972, de 17 de outubro de 1969, as funções de comentarista, coordenador de pesquisa, arquivista-pesquisador, revisor, ilustrador e até a de professor de jornalismo. Sem falar na atividade de assessor de imprensa, que em muitos países exige desincompatibilização com a função de jornalista. Antes de ir ao Senado, essa proposta, de autoria do deputado Pastor Amarildo (PSC-TO), foi aprovada praticamente sem discussões nem emendas na Câmara dos Deputados na sua forma inicial, a do Projeto de Lei nº 708/2003.

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MAIS DO MESMO:

Já falei sobre esse assunto milhares de vezes nos mais diversos fóruns - da rodinha de boteco e ao debate na academia. Sou parte de um grupo que é minoritário nessa polêmica, pois não consigo enxergar um único argumento plausível para justificar a exigência do diploma para exercício do jornalismo do ponto de vista do interesse público.

Em nenhum país do mundo onde o jornalismo consiga cumprir o seu papel primordial - o de monitorar sistematicamente o poder - essa exigência existe. No entanto, as faculdades de jornalismo desses países estão cheias. Isso acontece porque a graduação não é um rito burocrático, mas uma imposição do bom senso. Acho que isso faz toda a diferença.

Do jeito que a Fenaj toca essa discussão, é difícil não pensar que este modelo sindical se preocupa mais com a reserva de mercado dos egressos das fábricas de diploma do que com qualquer outra coisa que se pareça com o direito da cidadania de ser bem-informada.

Se por um lado o patronato pretende abortar qualquer instrumento de controle social de suas concessões sem sequer se dar ao trabalho de discutir, a corporação dos jornalistas também não faz por menos quando estão em jogo os seus interesses.

Desculpem a diatribe, mas usar senadorzinho obscuro para passar uma matéria dessa importância sem discussão é realmente irritante.

Não estamos falando de regulamentação da profissão sob novos marcos estabelecidos após a Constituição de 1988 e do impacto das novas tecnologias no jornalismo, mas de remendar um instrumento concebido à luz dos Atos Institucionais 1 e 16 à base da canetada por uma junta militar.

Esse tipo de sindicalismo-em-causa-própria serve a muitos propósitos. Serve aos donos de veículos porque nunca se verão diante de um debate sério sobre suas concessões. Serve para que as máquinas registradoras das Estácios de Sá da vida não parem de funcionar. Serve à incompetência de quem deixou de ser jornalista para se tornar burocrata e, por tabela, serve ao aperfeiçoamento do jornalismo brasileiro para que ele atinja os mais altos padrões, como os exigidos pelo leitor norte-coreano.

Aceito perder as discussões quando elas existem, mas no grito é desrespeito.

EXCELÊNCIAS

1,2, 3...de agosto

4,5,6...de setembro

São as datas de sessões com votação no Congresso Nacional nos próximos dois meses.

Terça-feira, Julho 04, 2006

LANCES & APOSTAS


Depois do fracasso, o saldão.

Foto do Minamar Júnior.

TCU

Perdi a manhã inteira correndo atrás de informação sobre a tal lista de inelegíveis do TCU (Tribunal de Contas da União).

A lista é um tipo de SPC do político que gasta mau (sejamos parcimoniosos) o seu, o meu, o nosso. Como cometeram deslizes, não poderão ser eleitos em outubro.

Revirei o site e só encontrei um sistema de busca por nome da figurinha envolvida. Revirei de novo, pensando "será que eu sou tão burro que não acho a lista integral?"

Peguei o telefone e liguei lá. Resumo do telefonema:

- Como assim não publicam mais a lista integral? Por quê? Privacidade dos inelegíveis? Mas são mais de 3 mil nomes? Hein? Quer dizer que roub...deixa pra lá, vou procurar nome a nome...

Depois, mudaram de idéia.

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Selecionei o nome de cinquenta políticos que foram prefeitos ou que ocuparam cargos de direção em casas legislativas.

Por acaso, achei o nome de uma figurinha que tinha lá umas 30 condenações. Achei curioso, sem razão aparente e cliquei no nomezinho. O cabra é daqui de Campo Grande e está enrolado com um montão de processos do antigo Inamps (é, aquele mesmo...).

Com o número do CPF anotado, fui pro site da Receita Federal. Mais rolo. Fui pro Google: o cara é fornecedor do Tribunal Regional Eleitoral daqui do Estado.

Pois é.

Segunda-feira, Julho 03, 2006

ARQUIVO K

Encontrei um blog legal por acaso. Tem dessas histórias que a "sensatez recomendaria deixá-las apenas para a tradição oral". Texto leve, despretensioso e inteligente.

Malvina, la Argentina, dá conta do recado. Vai .

PS: A crônica "Quatro acasalamentos e um funeral" está deliciosa.

Domingo, Julho 02, 2006

CASO PC: SÓ JORNALISTA FOI CONDENADO

A história já anda circulando há dias na lista de discussão da Abraji. Dez anos depois da morte de PC Farias, só houve uma condenação: a do jornalista Lucas Figueiredo.

Repórter do Correio Braziliense, Figueiredo foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas a pagar uma indenização de 350 salários mínimos (R$ 122.500) a um juiz que não gostou de uma frase a seu respeito.

O blog Deu no Jornal, da Transparência Brasil, tem a história. Vai .

FIM DA PATRIOTADA

Do Campo Grande News neste domingo:

Derrota põe fim ao surto de patriotismo. Texto leve e inteligente de Aline dos Santos e Marta Ferreira. Vale a pena o clique.

Sábado, Julho 01, 2006

BLUES

Vi a Prado Blues Band no Fly ontem. Apresentação digna: guitarrista canhoto bem habilidoso e a gaita estava legal. Destaque para Thrill Is Gone. Tocam hoje à noite de novo.

Duro foi passar o dia de ressaca. Alcoólica e moral. Estão relacionadas: a bebida vai entrando, a verdade vai saindo. Nunca é engraçado, as pessoas ficam constrangidas.

Pensando bem, o castigo da ressaca foi pouco.

LE JOUR DE GLORIE EST ARRIVÉ


Aux armes citoyens
Formez vos bataillons
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons

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Foto de Marcus Brandt, da France Presse.

PELADA

Terminou há pouco Portugal e Inglaterra. Zero a zero no tempo regulamentar e 3 a 1 nos pênaltis. Os portugueses estão nas semifinais.

Esperava muito desse jogo - algo como uma desforra portuguesa pela Copa de 66 (escrevi sobre isso num post há alguns dias). Foi só uma pelada: o lance mais legal do jogo foi ver o Rooney ser expulso depois de pisar no saco do adversário.

Uma tristeza mesmo.